quinta-feira, 4 de maio de 2023

SEMANA 07 - O EGITO, UMA DÁDIVA DO NILO


Oração ao Nilo
(…)
Salve, tu, Nilo!
Que te manifestas nesta terra
E vens dar vida ao Egito!
Misteriosa é a tua saída das trevas
Neste dia em que é celebrada!
Ao irrigar os prados criados por Rá,
Tu fazes viver todo o gado,
Tu – inesgotável – que dás de beber à Terra!
Senhor dos peixes, durante a inundação,
Nenhum pássaro pousa nas colheitas.
Tu crias o trigo, fazes nascer o grão,
Garantindo a prosperidade aos templos.
Se paras a tua tarefa e o teu trabalho,
Tudo o que existe cai em inquietação.

 Às margens do rio Nilo Hoje, no início do século 21, o Egito conta com mais de 70 milhões de habitantes, sendo o mais populoso dos países de cultura árabe. E, exatamente como na Antiguidade, a maioria de sua população está concentrada em apenas 4% do território, às margens do rio Nilo. Por se localizar numa região desértica - o nordeste da África -, o Egito sempre teve a sua vida ligada às águas desse rio e aos seus períodos de cheia, durante os quais o solo das margens é fertilizado, tornando possível o desenvolvimento de uma agricultura capaz de sustentar enormes contingentes populacionais. Por esse motivo, na Antiguidade o Egito era conhecido como o "Celeiro do Oriente".

  Diques e reservatórios no rio Nilo O controle das cheias do rio foi condição essencial para o desenvolvimento da civilização na região, pois o seu leito não era suficiente para conter as águas que corriam do interior da África em direção ao mar Mediterrâneo, inundando a região entre julho e setembro. Assim, às margens do Nilo foram construídos diques e reservatórios, a fim de reter as águas que seriam utilizadas - por meio de canais de irrigação - no tempo de escassez das chuvas para a agricultura, a pecuária e o consumo humano. Com o retorno das águas ao leito do rio (entre dezembro e maio), ficava armazenado nas margens um precioso fertilizante, o húmus, que permitiu o surgimento de uma agricultura de alta produtividade. O húmus, um fertilizante natural de cor escura, era tão essencial aos egípcios, que esse povo chamava sua região de Kemet, "terra negra", em oposição às terras vizinhas, chamadas de Deshret, "terra vermelha", ou seja, o deserto.

 A  experiência logo ensinou os egípcios a desconfiar da inconstância do rio. Para compensar a escassez periódica, era necessário estocar cereais para alimentar a população e - mais importante ainda - garantir quantidade suficiente de sementes para a semeadura seguinte, quaisquer que fossem as circunstâncias.

Esses estoques de reserva eram fornecidos pelo governo central, graças ao duplo celeiro real, que estocava cereais em armazéns distribuídos por todo o país. Limitando o consumo em períodos de abundância e estocando o máximo possível para se precaver contra cheias insuficientes ou excessivas, o governo central passou a controlar, por assim dizer, a ordem natural e veio a desempenhar um papel muito importante.

Excedente econômico

A alta produtividade agrícola e o controle populacional permitiram que houvesse disponibilidade de recursos e de mão de obra, o que viabilizou a construção das pirâmides e dos palácios, o desenvolvimento do artesanato, da ourivesaria e as guerras de expansão.

Ao contrário do que comumente se pensa, a mão de obra utilizada em tais obras gigantescas era de camponeses livres, não de escravos. Apesar de a escravidão existir no Egito, era em pequena escala. O Estado egípcio submetia a população a uma forma de exploração chamada de "corveia real" ou "servidão real", ou seja, apesar de os trabalhadores serem homens livres, deviam, de tempos em tempos, prestar trabalho gratuito nas obras estatais, como forma de tributo.

A produção agrícola era diversificada: trigo, cevada, ervilha, cebola, linho, tâmaras, diversas árvores frutíferas, além da pecuária (bois, ovelhas, porcos, cabras). Os egípcios desenvolveram também a caça e a pesca: a primeira realizada nos pântanos e no deserto e a segunda praticada no Nilo, nos reservatórios e canais de irrigação.

segunda-feira, 1 de maio de 2023

TEMA 06: O QUE ERA O TRIBUNAL DE OSÍRIS?

 QUEM ERA O DEUS OSÍRIS?

 Tribunal de Osíris - história do julgamento egípcio no além-vida 

Antes de entendermos o que era o Tribunal de Osíris, vamos conhecer um pouco mais sobre esse deus. Osíris era uma divindade cultuada pelos antigos egípcios, que tinha uma importância muito grande na religiosidade deles. A crença nele era originalmente de Busíris, na região do Baixo Egito, onde era identificado com a força do solo que dá vida à vegetação. Por isso mesmo, ele era o deus da fertilidade e lhe atribuíam a invenção da agricultura. Consequentemente, Osíris passou a ser o patrono da civilização que o cultivo das plantas propiciou. Mais tarde o seu mito sofreu alterações, sendo possível encontrar diversas versões para ele. Na mais famosa, ele é um dos filhos de Geb (a terra) e Nut (o céu) e irmão de Seth, Néftis e Ísis. Esta última também é sua esposa.

Osíris governou a terra, identificada como o Egito, e ensinou a agricultura e a pecuária, que foram as técnicas necessárias para o desenvolvimento da civilização. Já Seth governava o deserto e invejava seu irmão, por isso decidiu matá-lo. As versões para o assassinato de Osíris são diferentes. Em uma delas, Seth realiza um banquete e oferece aos convidados como presente um sarcófago, mas só ia ganhá-lo quem coubesse nele. Como ele fez a caixa na medida de Osíris, mesmo com os demais convidados testando, somente ele coube nela. Assim, Seth o prendeu na caixa e a atirou no rio Nilo, por onde foi arrastada para o mar Medieterrâneo e chegou à Fenícia. Isis o encontra e volta para o Egito com o corpo do esposo, o qual ela escondeu em uma plantação de papiros. Seth o encontra e decide esquartejá-lo. Os pedaços são lançados em diversas partes do Egito e Ísis vai procurá-los. Encontrou todos, menos o órgão sexual. Para suprir a falta dele, ela constrói um novo com caules de vegetais. Depois disso, junto com Anúbis e Néftis, mumificou Osíris e se transformou em uma ave que bateu asas sobre o corpo do irmão e o ressuscitou. Ísis se uniu a Osíris e tiveram um filho, chamado Hórus.

 Por não ter o corpo inteiro, Osíris deixou de governar o mundo dos vivos e passou a reinar entre os mortos. Assim, ele se tornou o senhor da vida no além e pelo julgamento de todos aqueles que se dirigiam para ele. Assim começou o que era o tribunal de Osíris. Adiante, vamos explicar como as almas são julgadas.

 O QUE ERA O TRIBUNAL DE OSÍRIS?

 Tribunal de Osíris - história do julgamento egípcio no além-vida

O Tribunal de Osíris era o lugar onde o deus Osíris, com o auxílio de outras divindades, dava o veredicto sobre o destino dos mortos. Nele, as almas chegavam e argumentavam sobre a sua vida, dizendo se tinham vivido de maneira virtuosa ou não. Anúbis, que conduzia as almas até o tribunal, pesava o coração delas na balança da deusa Maat. Em uma bandeja ficava o coração e na outra era posta uma pena de avestruz.

Se as palavras da alma fossem verdadeiras, o coração e a pena ficariam em equilíbrio e ela seria considerada pura. Caso o coração ficasse mais pesado, Ammut, um demônio com cabeça de crocodilo, metade do corpo de leão e outra metade de hipopótamo, destruiria a alma como retribuição pelos pecados.

 Tot, o deus inventor da escrita, fazia um relatório final sobre a pesagem que seria entregue a Osíris, caso Ammut fosse favorável ao morto. Osíris confirmava o relatório e permitia a entrada da alma em seu reino, onde ela desempenharia a mesma função que tinha na terra em uma vida agradável.

PRÉ-HISTÓRIA & PALEOLÍTICO - SLIDES