Os povos da Mesopotâmia são as civilizações que se desenvolveram na área
das terras férteis localizadas entre os rios Tigre e Eufrates, na região atual
do Iraque. Entre eles estão os sumérios, os assírios e os babilônios.
Os mesopotâmicos consideravam “o ofício de
construir” um dom divino ensinado aos homens pelos deuses e a arquitetura se
desenvolveu na região. A escassez de pedras e madeira no local fez dos tijolos
cozidos ao sol e da argila o material de construção mais usado.
Existem três fatores principais que contribuem
para o estilo da arquitetura da Mesopotâmia:
- A organização sociopolítica das cidades-estados sumérios e dos
reinos e impérios que as sucederam.
- O papel da religião organizada nos assuntos de Estado da
Mesopotâmia.
- Influências do ambiente natural: as limitações impostas ao artista
e ao arquiteto pela geologia e clima da região.
Os
materiais de construção na Mesopotâmia
Barro: O barro
formado às margens dos rios Tigres e Eufrates era a matéria prima usada na
arquitetura da Mesopotâmia. Poderia dar origem ao tijolo seco ao sol (adobe),
ou cozido, raro por causa da escassez de madeira na região. Os Sumérios
acreditavam que o barro foi o material usado pelos deuses para moldar os seres
humanos, por isso ao trabalhar com barro estariam honrando os deuses.
Pedra: Embora as
pedras fossem escassas, havia uma pedreira de calcário na região. Sua extração
e transportes eram caros, por isso, eram usados apenas em templos, esculturas e
joias.
Betume: O betume
que jorrava facilmente da terra era recolhido e usado como argamassa e na
impermeabilização de tijolos.
Construção
de templos e o nascimento do Zigurate
O templo é o primeiro edifício com estrutura
sólida na Suméria. No período arcaico era pequeno, com uma única sala oval ou
retangular. Com o tempo estes templos foram assumindo formas mais complexas e
desenvolvidas, incorporando estruturas escalonadas que são conhecidas
atualmente como Zigurate.
O Zigurate é uma forma de templo, criado pelos
sumérios, e comuns para babilônios e assírios. Era uma estrutura maciça em
forma de pirâmide com vários andares sobrepostos, com um templo no topo. O
interior era feito de tijolos queimados, mais resistentes, enquanto o exterior
era feito com tijolos cozidos ao sol, mais fáceis de serem produzidos porém
menos resistentes. O acesso ao templo, no topo do zigurate, era feito por
rampas ou escadarias.
Apesar da semelhança com as pirâmides do Egito, sua estrutura interna e
finalidade são bem diferentes: os zigurates não possuem câmaras internas e são
templos religiosos destinados à moradia dos deuses, diferente da complexa
estrutura das pirâmides. Apesar da proximidade e semelhança com as pirâmides do Egito Antigo,
eram construções com estrutura interna e finalidade bem distinta. As pirâmides
egípcias são estruturas complexas com a destinação mortuária do representante
dos deuses na terra, o faraó, sendo a maior delas a pirâmide de Queóps,
localizada no Complexo de Gizé com a sua imensa esfinge.Os zigurates, por sua
vez, não possuíam destinação mortuária nem a vaidade do poderio faraônico,
sendo templos religiosos destinados à moradia dos deuses e à observação dos
astros.Ainda, as cidades costumavam crescer ao redor desses templos-cidades,
irradiando, assim, a fervorosa religiosidade do seu povo. A título de
curiosidade: os sumérios teriam descoberto cinco planetas!
Zigurate de
Ur
O zigurate de Ur, é o mais bem conservado de
todos os zigurates. Foi construído para o deus da lua “Nanna”, o padroeiro da
cidade-estado de Ur, por volta de 2100 a.C. pelo rei sumério Ur-Nammu. Em seu
entorno, havia casas residenciais, prédios comerciais e serviços públicos.
COMO ERA FEITO O ZIGURATE
Típicos templos da antiga Mesopotâmia, sua
origem é apontada como vinda dos misteriosos e incríveis sumérios e logo teria
se alastrado aos demais povos da região, sendo erguidos às dezenas entre 2200 e
500 a.C.. As construções eram feitas com tijolos queimados através da
sobreposição de plataformas, que contavam com escadarias circundando a
estrutura. Atualmente, ao menos vinte construções do tipo resistem ao tempo e a
maior delas se encontra em Chogha Zanbil, no Irã, onde impõe dimensões 24
metros de altura por 100 metros de base.
Zigurate de
Etemenanki ou Torre de Babel
Dedicado ao deus Marduk, da Babilônia, Etemenanki
significa “a casa da fundação do céu e da terra.” Este zigurate serviu de
inspiração para a história bíblica da Torre de Babel. A estrutura original foi
construída por Hammurabi e restaurada por Nabucodonosor no século VII a. C.
A obra era composta de amplas escadarias em
toda sua volta, sete andares e cerca de 91 metros de altura, tendo no topo o
santuário. Além da função religiosa, também tinha um papel científico. Os
escribas observavam os astros do e registravam em tabletes de argila, conheciam
Saturno, Júpiter, Marte, Vênus, Mercúrio, o Sol e a Lua.
Quando Alexandre, o Grande conquistou a
Babilônia em 331 a.C., ordenou a demolição do Etemenanki para reconstruí-lo,
porém sua morte pôs fim aos planos de reconstrução.

Representação 3D do zigurate de Etemenanki
Jardins
Suspensos da Babilônia

Os Jardins Suspensos foram
construídos na Babilônia a mando do rei Nabucodonosor II, no século VI
a.C. Foi construído com a estrutura de um zigurate, no entanto era recoberto de
vegetação.
Próximo ao rio Eufrates possibilitou amplos
sistemas de irrigação. Os tijolos de barro eram revestidos com betume para
mantê-los secos da água irrigada.
Arquitetura
doméstica da Mesopotâmia: Construção de casas e cidades
Famílias mesopotâmicas foram responsáveis
pela construção de suas próprias casas. Os tamanhos variavam mas o projeto
geral consistia em cômodos menores organizados em torno de um grande cômodo
central.
Para fornecer um efeito de resfriamento
natural, os pátios se tornaram uma característica comum e persistem na
arquitetura doméstica atual do Iraque. As cidades se organizavam em torno dos
zigurates.